A IA vai “substituir” programadores? Ou vamos precisar de pessoas que saibam escrever prompts?
Pergunta: Muitos programadores estão preocupados com a IA e com a possibilidade de a profissão perder espaço. No futuro, vamos precisar de programadores ou de pessoas que saibam “promptear”?
Sebastian Seitz: Vamos continuar precisando de gente que saiba programar, e que saiba fazer as perguntas certas.
A IA tem, sim, um grande potencial no desenvolvimento de software. Modelos de linguagem conseguem aprender muitos idiomas, e linguagens de programação também entram nisso. Alguns modelos já programam muito bem.
Só que o gargalo real não é “digitar código”. O ponto crítico é formular corretamente o problema e descrever a tarefa de forma precisa. A habilidade mais importante é especificar requisitos de um jeito que seja possível implementar. E, por enquanto, quem faz isso bem ainda é o ser humano.
Como a IA muda o desenvolvimento de produtos (e onde ela já ajuda de verdade)
Pergunta: Como a IA está mudando o trabalho no desenvolvimento de produtos e em que ponto já dá para aproveitar benefícios hoje?
Sebastian Seitz: Ainda estamos no começo, mas já existem casos em que a IA dá suporte a workflows específicos. O valor aparece principalmente em tarefas repetitivas.
Se a IA for aplicada para estimular a criatividade e entregar informações relevantes no momento certo, a gente entra em uma fase de mudança importante. Por enquanto, isso ainda aparece de forma limitada. Nos projetos elétricos, por exemplo, estamos longe de ter um workflow totalmente “IA-first” de ponta a ponta.
O caminho é analisar onde faz sentido começar. E, novamente, a forma como os requisitos são descritos faz toda a diferença. No fim, a pergunta que importa é: qual benefício real chega para o cliente?
Copilot, conhecimento técnico e qualidade: o que a EPLAN mostrou na Hannover Messe 2025
Pergunta: Na Hannover Messe 2025, vocês mostraram primeiros conceitos usando o Microsoft Copilot. Onde está o valor disso?
Sebastian Seitz: Um primeiro valor é trazer conhecimento técnico específico para perto do usuário, consultável via Copilot, por exemplo, sobre normas relevantes.
Além disso, a IA pode responder rápido até perguntas “simples” do dia a dia, desde que exista bom input, tanto em quantidade quanto em qualidade. Um passo mais avançado é entrar no processo construtivo. Com IA generativa, por exemplo, dá para sugerir layouts para uma placa de montagem. Isso mexe em produtividade e também em qualidade.
E existe um terceiro ponto essencial: garantia de qualidade automatizada, que é um elemento central no trabalho de engenharia. A meta não é só fazer mais rápido, é chegar a resultados melhores.
Layout de placa de montagem: não é “só” Machine Learning — a IA generativa pode ir além
Pergunta: Quando falamos de sugestões de layout para a placa de montagem, isso é Machine Learning com base em layouts já realizados ou a IA generativa consegue fazer mais?
Sebastian Seitz: A IA generativa consegue ir além, e não é Machine Learning no sentido clássico de reconhecimento de imagem.
Esse caminho até poderia existir, mas não levaria em conta o mais importante: o jeito de trabalhar de cada integrador, montador de painéis ou fabricante de máquinas, que varia muito.
A IA generativa pode entregar mais, mas precisa de regras básicas e diretrizes. Para derivar essas regras, dá para usar instalações existentes como “padrões”, especialmente no contexto de layout 3D. O objetivo é respeitar a lógica e o conhecimento prático individual de cada empresa. Se conseguirmos representar bem esse processo com IA dentro do nosso domínio, os ganhos de eficiência são reais.
Dá para quantificar o potencial de ganho com IA e automação na engenharia?
Pergunta: É possível colocar números nesse potencial?
Sebastian Seitz: Na criação de esquemas, hoje já existe muito trabalho baseado em regras. Na nossa plataforma, isso pode ser quase todo automatizado.
Se todas as regras e condições necessárias estiverem bem definidas, a economia de tempo pode ser enorme. Um cliente relatou economia na faixa de 94% a 96%.
A IA pode ser realmente “inteligente” (IA forte)? Ou ela depende totalmente de como descrevemos o problema?
Pergunta: A IA consegue entregar soluções realmente “inteligentes”, no sentido de uma IA forte?
Sebastian Seitz: Vou citar uma frase de uma palestra que ouvi: “Inteligência é resolver problemas de forma autônoma. A IA, porém, não tem problemas próprios. O ser humano precisa descrever o problema para que a IA resolva.”
Essa visão reforça o principal: o desafio está em formular as perguntas certas.
Nosso objetivo é chegar ao ponto em que os projetos elétricos possam ser realizados de forma autônoma, automatizada e com base em uma boa descrição do que precisa ser feito. A IA vai ajudar a acelerar esse caminho.